Herberto Helder de Oliveira (Funchal, São Pedro, 23 de novembro de 1930 – Cascais, 23 de março de 2015), mundialmente conhecido como Herberto Helder, é nada mais nada menos que um dos maiores gênios literários da segunda metade do século XX.

Cursou a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e veio a trabalhar, já em Lisboa como jornalista, bibliotecário, tradutor e radialista.

Em torno dele, niilista e misantropo, pairava uma névoa de surrealismo e mistério, recusando-se a receber premiações, homenages ou a conceder entrevista. Negava-se mesmo a ser fotografado.

Sua sensibilidade poética foi notória e inequívoca. Acerca da arte poética, afirma Helder:

Sobre um Poema

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
– a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

– Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
– E o poema faz-se contra o tempo e a carne.

RECOMENDAMOS



COMENTÁRIOS




Doce Poesia
Para quem ama doces e adora surpresas, este é o lugar certo!!!